segunda-feira, 5 de setembro de 2011


Paulo Chaves: preconceito ou "ódio de classe"?

A nota abaixo foi publicada em O Liberal de ontem:
Meu comentário:

Recentemente o secretário de cultura já havia se referido ao governo anterior, e também aos eleitores do PT, de modo geral, como "muvuca cultural" e como "populismo devasso". O lado oposto, o seu, seria, a seu ver, o lado da cultura de "autor".

Há anos ele bate nessa tecla. Recordo que publicou um artigo, no mesmo O Liberal, logo no início do governo do PT, comparando a chegada ao governo dos petistas à entrada em Paris dos exércitos nazistas. Ou seja, há pelo menos quatro anos ele se ocupa com essas idéias, com essas comparações no mínimo arrogantes, mas, na verdade, preconceituosas. Boas gargalhadas foram dadas naquele momento, diante da sua figura de imagem absolutamente descabida e simplória - ao que nos consta, sua última "autoria" - mas a persistência desse discurso, em alguém que ocupa um cargo público e que tem a obrigação de cuidar da cultura de um estado híbrido e complexo como o Pará é preocupante.

Dividir a cultura em dois campos - o popular e o erudito - não é uma coisa razoável. A cultura é algo bem mais complexo que isso. As pessoas que fazem isso - e conheço muitas, mas nenhuma de maneira tão arrogante e desrespeitosa como Paulo Chaves - cometem o pecado da simplificação: positivizam, funcionalizam, a noção de cultura, conforme seus interesses, ignorando completamente a realidade do campo cultural em sua natureza sempre em disputa, sempre tensa, sempre complexa, sempre híbrida, intranquila e em constante mutação.

O que Paulo Chaves deseja, ainda que não deva ter uma precisa consciência disso, é retornar ao tempo em que a noção de cultura servia como uma moeda simbólica, como um poder simbólico, sendo usada para demarcar a linha de separação entre os grupos sociais. Cristalizada enquanto uma "escala de valores", a idéia de cultura servia para que pessoas mais privilegiadas economicamente preservarem essa sua diferenciação social, indicando, aos menos privilegiados, que possuíam essa matéria ignata, obscura e inespecífica que eles próprios chamavam "cultura".

A "cultura" à qual se referem longamente funcionou como um poder simbólico instrumentalizado como ferramenta para a exclusão social. E é isso que o secretário de cultura, do alto de seu preconceito, de seu "ódio de classe", pretende fazer: transmitir mensagens de poder: ofender, humilhar - e, assim, afastar - as pessoas que não pertencem ao seu mundo "privilegiado".

Um mundo de "classe". Não, necessariamente, um mundo "com classe" - como desejaria - mas um mundo que deseja perpetuar certas estratégias de diferenciação social, mesmo que usando da função pública para isso. O preconceito serve para impor limites subjetivos entre as pessoas. Serve para afastar os indesejados. Serve para transmitir mensagens de poder.

Arrisco uma interpretação sociológica que tenho desenvolvido longamente em outros escritos e em uma de minhas pesquisas: trata-se de um comportamento muito comum entre um nicho das elites paraenses - um nicho, sim, porque as elites nunca são coesas, como também não o são as "classes sociais", se se desejar utilizar essa noção bastante superada hoje em dia mas que, enquanto macrocategoria de análise, ainda tem muita utilidade - o nicho das elites "lemistas", ou seja, dos herdeiros das famílias que chegaram a Belém trazidas pelos velho intendente Antônio Lemos, como é o caso desses "Chaves", desses "Meiras", desses "Lins" e de muitos outros. Nas elites belemenses, esses neo-paraenses (como, sem admitir, parecem se enxergar) são pessoas, muitas vezes, impressionantemente arrogantes. Infinitamente mais arrogantes que outros nichos da elite local. Seria vital, para eles, a estratégia de, na falta de antiguidade, ou em função de uma origem nordestina que parece lhes incomodar, demarcar sua diferença social. Assim que meu trabalho tiver caminhado mais estará publicado e podemos retornar a esse assunto.

Por ora voltando ao ranço elitista do secretário de cultura, creio que posso resumir essa "ópera" com a mais óbvia das constatações: o secretário de cultura não entende NADA de cultura. Está no posto para defender uma determinada visão de cultura realmente antropológica e, portanto, profunda, plena de inerentes contradições mas o que faz é dispor da função pública para afirmar seu preconceito e suas estratégias de poder.

O que produz a seguinte questão, que necessariamente deveria ser indagada, pela sociedade, ao Governo Jatene: Paulo Chaves vai continuar se referindo aos "seres inferiores" que o ameaçam como vândalos e bárbaros, "índios" (Sic) e "caboclos" (Sic)? Não seria isso, do ponto de vista político, uma altíssima inconveniência para o Governador?

Talvez não, talvez alivie o Senhor Governador dos mesmos inconvenientes.

Não percebem, no entanto, que algo mudou na sociedade brasileira e muito especificamente na área cultural. O setor cultural foi um dos que mais evoluíram durante os oito anos do governo Lula. Ao que pese a má gestão atual do Ministério, o Governo Lula contribuiu imensamente para a entrada em cena de novos atores culturais e, de um modo geral, para a democratização dessa redoma de vidro que durante tanto tempo serviu para excluir e para diferenciar as pessoas. Ademais, não percebem uma outra mudança em curso na sociedade: uma mudança estrutural, que se refere a um processo de democratização da cultura pela via do acesso à classe média de 40 milhões de brasileiros, também obra do Governo Lula - e, ainda, o papel da cultura digital em ampliar a acessibilidade dos indivíduos aos bens simbólicos.

Paulo Chaves - e, portanto, o Governo Jatene - vão na direção contrária. A prova mais cabal desse seu atraso está, justamente, na tentativa de validar a noção de cultura enquanto uma "obra" de "autor".

São percepções ultrapassadas: pela ciência e também pelo bom senso. Cultura não é "obra" e nem é o substrato de uma ação de "autoria" que se pretenda individual. Cultura é dinâmica social.

Cultura é mudança, queira o secretário Paulo Chaves ou não.
Prof. Fábio Castro.

Vereador Marquinho visita unidade de saúde do Providência

Vereador Marquinho visitou a unidade de saúde do bairro da Providência. A visita ocorreu a pedido dos próprios moradores, que foram até à Câmara Municipal de Belém buscar o apoio da Comissão de Saúde, que é presidida pelo próprio vereador. No primeiro semestre deste ano, Marquinho visitou diversas unidades, após decisão da Secretaria Municipal de Saúde em desativar o serviço 24 horas desses postos. Vários relatórios foram elaborados e entregues na Secretaria Municipal de Saúde.

De acordo com os moradores da Providência, a UBS está sempre sem médicos e são maltratados pelos servidores. “Estou há quatro semanas tentando uma consulta com o dentista e não consigo, inclusive semana passada me acidentei numa cânula ao encostar na parede. A saúde aqui no bairro está uma calamidade”, desabafou dona Fátima Silva, 56.

O Vereador Marquinho e várias lideranças comunitárias foram recebidos pela direção da unidade, porém a imprensa foi impedida de adentrar ao posto. Segundo o agente administrativo da UBS, Edilberto Neves, a demanda aos serviços está excessiva e o número de médicos é insuficiente para atender toda a demanda. “Temos apenas três médicos trabalhando aqui na unidade e os serviços são: atendimento à gestante, enfermagem, saúde mental, dentária, clínico e ginecologista”, afirmou o agente.

Walber Coelho, diretor do Departamento de Atenção à Saúde – Sesma, disse estar à frente da diretoria apenas um mês e “o que na saúde pública é gestão e manipulação correta dos recursos”. O diretor afirmou também que “o posto vai entrar no calendário de reparos e danos das unidades básicas de saúde de Belém”.

Após a reunião o Vereador Marquinho pediu para visitar toda a unidade e foi acatado pela diretoria. “A diretoria desta unidade deve fazer uma reunião com a comunidade e esclarecer todas as dúvidas com palestras educativas, inclusive explicando os direitos às gratuidades. É perceptível que o principal problema aqui é no atendimento, ou seja, os usuários estão sendo maltratados pelos servidores, o que é um absurdo”, afirmou o vereador.

No decorrer da visita os usuários fizeram várias denúncias ao vereador. “O que vocês estão vendo hoje aqui não é a realidade do dia-a-dia. Organizaram tudo só porque sabiam que o Vereador Marquinho vinha pra cá, mas a realidade é outra: falta médico, não tem medicamento, não tem funcionário da limpeza e não somos atendidos”, denunciou a gestora em Tecnologia de Informação, Carol Avelar.

A presidente do Centro Comunitário Dom Bosco, Marilene Valente, falou da necessidade do programa do Governo Federal Família Saudável. “Infelizmente esta unidade não oferece esse serviço tão importante. Meus filhos não foram atendidos aqui, fui maltratada e tive que prestar queixa na polícia. A Sesma tem que mandar alguém mais competente para assumir esta unidade e resolver nossos problemas”, indignou-se.

Ao final da visita, o Vereador Marquinho afirmou que vai cobrar soluções da Sesma para a unidade do Providência. “O nosso objetivo é elaborar um relatório desta visita e entregar à Sesma para que haja melhora no atendimento, o que não pode é ficar como está. Alguns gestores ainda não entenderam que a saúde não pode ser tratada como as outras políticas públicas. Tanto a comunidade presente quanto o meu mandato farão relatórios para serem entregues na Secretaria de Saúde, nas mãos da secretária”, afirmou o vereador.

domingo, 4 de setembro de 2011


Resposta de Dirceu ao ex-Graeff

Oposição sem rumo
JOSÉ DIRCEU
Ao criticar as alianças de Dilma, Eduardo Graeff parece se esquecer de que o PSDB se alinhou com as mesmas siglas nos Estados que governa
Enquanto o Brasil avança com o PT no governo federal, a oposição demo-tucana permanece inerte, saudosa de um passado distante e perdida em seus próprios dilemas.
Sem propostas viáveis para o crescimento do Brasil, os velhos mandatários centralizam seus esforços em inúteis tentativas de desestabilizar o governo e o país, por meio de ataques sem provas ao PT e a seus militantes.
No último dia 23, fui grosseiramente atacado, nesta Folha, em artigo assinado pelo cientista político Eduardo Graeff, secretário-geral da Presidência da República no governo FHC. Graeff tomou versões mal-intencionadas e sem compromisso com a verdade para reembalar teses que há muito não encontram eco na sociedade.
Seu artigo "Aliados e companheiros" é uma coletânea desatualizada de equívocos e hipocrisias.
Graeff chega a dizer que, em 1998, eu teria arrecadado recursos em prefeituras para financiar campanhas do partido. Trata-se de uma mentira, de uma acusação que não se sustenta caso seja questionada judicialmente.
O episódio fantasioso se tornou público na investigação do assassinato do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, e seu autor se retratou em juízo pelas falsas alegações. O ex-assessor tucano vai ao fundo do poço ao dar conotação política a um caso que, por duas vezes, ficou comprovado em inquéritos policiais se tratar de crime comum. Na tentativa de provocar estragos, investe até mesmo contra a imagem de Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.
Graeff critica as alianças do governo Dilma. E parece se esquecer de que o PSDB se alinhou com essas mesmas siglas nos Estados que governa. O PMDB não está na base de sustentação da gestão de Geraldo Alckmin em São Paulo?Antonio Anastasia não levou o PDT e o PSB para a base de seu governo em Minas Gerais?
E mais, o tucano mineiro não desmontou a oposição a seu governo ao tirar primeiro o PR da frente parlamentar Minas sem Censura, e agora o PMDB? José Serra, quando assumiu a Prefeitura de São Paulo, não nomeou prefeitos derrotados no Estado para as administrações regionais da cidade? Quer maior aparelhamento e uso da máquina do que esse?
Quando secretário-geral da Presidência, na hoje longínqua era FHC, parte das tarefas de Graeff não era ouvir reivindicações da base aliada a respeito da ocupação dos cargos públicos e de emendas parlamentares?
E agora vem o próprio Graeff questionar a legitimidade da participação dos partidos que apoiam o governo. Quanta hipocrisia!
Estamos dispostos a um debate mais profundo do que esse. Já realizamos as reformas da Previdência e do Judiciário e colocamos na pauta a Tributária e a do Código Civil.
Nos oito anos em que governou o país, o PSDB não foi capaz nem de apresentar uma proposta de reforma que pudesse corrigir erros históricos e estruturais de nosso sistema político-eleitoral e conter a forte influência do poder econômico em nossas eleições.
O tema também já está lançado com a reforma política. Nós, do PT, defendemos o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais, de forma a acabar com a contribuição direta a partidos ou candidatos e a anular a força do poder econômico na eleição. Somos favoráveis ao sistema proporcional misto, no qual o eleitor votará duas vezes: primeiro, na lista do partido de sua preferência, e depois em um candidato da própria lista.
Nossa posição é clara. Surpreende a fuga do PSDB a esse debate.
Para eles, talvez seja melhor atacar a honra alheia do que discutir questões realmente importantes para o país.
JOSÉ DIRCEU, 65, é advogado e ex-ministro-chefe da Casa Civil.

Aniversariante indesejável

Paulo Maluf completou, ontem, 80 anos e deu uma declaração preocupante, dizendo que não se arrepende de nada do que fez, apenas do que não fez. Será que, nessa idade, processado em várias partes do planeta e envolto em suspeitas de ser um dos maiores malversadores de dinheiro público da história do país, maluf ainda tem apetite pra aprontar?
Deveria dar-se por satisfeito de passar o resto dos seus dias em liberdade, como tudo indica que ocorrerá, e recolher-se definitivamente à atividade privada, deixando o erário também descansar.

Triste constatação

Quem lê, hoje, no Diário do Pará a entrevista do historiador José Augusto Pádua chega à triste conclusão a que chega também o  historiador a respeito da omissão do governo do estado com o recrudescimento da violência no campo: "Essa volta dos assassinatos tem sinalização com o afrouxamento do controle do governo em relação ao desmatamento. É como se fosse percebido que pode haver novamente um relaxamento a esse respeito. Com isso, algumas pessoas que atrapalham esse processo tornam-se alvos."
Espera-se que o governador Simão Jatene tenha explicação para isso, afinal, tanto faz matar 19 de uma só vez ou ir matando aos poucos. o que se constata nesses casos é a conivência governamental com o estado de barbárie.

sábado, 3 de setembro de 2011



Íntegra do discurso do presidente do PT, Rui Falcão
Presidente Rui Falcão na abertura do 4. Congresso Extraordinário do PT

Segue abaixo a transcrição do discurso de Rui Falcão. O mais breve possível disponibilizaremos também os vídeos de Dilma e Lula.


Companheiros(as),

Abaixo, o discurso de saudação do presidente Rui Falcão na abertura do 4. Congresso Extraordinário do PT.
Companheiros e companheiras,
Quero saudar todos os delegados e delegadas presentes ao nosso 4o. Congresso. Vocês representam, na diversidade da juventude, das mulheres, dos negros, dos indígenas, da comunidade LGBT, toda a nossa aguerrida militância, a quem vi de perto nas 25 capitais onde estive em caravana nas últimas semanas, ao lado de membros da Direção Nacional. Lá, constatei a força e a vitalidade da militância, que sempre fez a diferença na história do PT. Em cada canto do País, estivemos presentes para expressar o caráter nacional do nosso partido. Para colher, ao vivo, informações sobre a realidade político-eleitoral de cada Estado. E, principalmente, para estreitar os laços entre direção e base – este vínculo permanente que constitui e revigora os partidos de tradição socialista e democrática.
O entusiasmo, a mobilização e o otimismo nas plenárias de que participamos são um prenúncio de que, em 2012, estaremos preparados para a grande batalha das eleições municipais. A tática eleitoral e a política de alianças para o próximo pleito integram o documento político que será debatido amanhã.
Quero congratular-me com as lideranças petistas dos movimentos sociais, em nome do Artur Henrique, presidente nacional da CUT, cuja luta em defesa dos trabalhadores tem propiciado tantas conquistas e tem contribuído para importantes mudanças na vida nacional. Reitero aqui a nossa intenção de caminharmos juntos, PT e movimentos sociais, com bandeiras e agendas comuns, respeitada a autonomia de cada organização.
Cumprimento com deferência todas as delegações dos partidos amigos de países de todos os continentes, que aqui vieram para nos prestigiar, expressar sua solidariedade e reforçar, na melhor tradição internacionalista, a parceria nas lutas por um mundo melhor.
Estão hoje conosco alguns dos ex-presidentes do Partido dos Trabalhadores, cuja contribuição, cada um a seu tempo, concorreu para que nosso partido —e também o País – se tornassem referência mundial nos processos de avanço democrático e mudanças sociais. Em nome de todos eles, quero pedir uma salva de palmas ao companheiro José Eduardo Dutra, a quem tive a honra de suceder.
Companheiros e companheiras do Diretório Nacional, aqui representados no palco pelos membros da Comissão Executiva Nacional: repousa sobre nossos ombros a responsabilidade de conduzir o PT, este partido com 32% de preferência nacional e que governa o Brasil pela terceira vez consecutiva. Confio em que, exercitando a direção coletiva, possamos manter unido o PT, a fim de vencer os desafios do momento atual.
Entre os imensos desafios que se nos apresentam, a aprovação da reforma político-eleitoral é, sem dúvida, o mais urgente e relevante. Uma reforma que, mantido o sistema do voto proporcional e ampliadas as possibilidades de participação popular, institua o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais e o voto em lista. O financiamento privado e o voto em pessoas são características antidemocráticas do sistema atual. Eles abrem um imenso fosso entre a presença social do povo e sua expressão política, em especial das mulheres (apesar da conquista histórica da primeira mulher presidenta do Brasil).
Ao falar da reforma política, cuja campanha o PT já desencadeou e dialoga com diferentes atores políticos e sociais para viabilizá-la, não poderia deixar de reconhecer o trabalho aplicado e a competência de nossas Bancadas na Câmara e no Senado, sob a liderança dos companheiros Paulo Teixeira e Humberto Costa. E, sobretudo, a perseverança incansável do companheiro Henrique Fontana, relator da Comissão da Reforma na Câmara dos Deputados e de todos os membros da Comissão Especial.
Caros presidente Lula e presidenta Dilma, cujo legado de realizações ao Brasil orgulha a toda a militância petista, a toda a esquerda e a todo o nosso povo. Nunca antes neste país se fez e se está fazendo tanto em tão pouco tempo.
Companheira Dilma, o PT participa, apóia e sustenta as políticas do nosso governo, para que o Brasil prossiga na construção de outro modelo de desenvolvimento, socialmente inclusivo, regionalmente integrado, tecnologicamente avançado e ambientalmente sustentado. Tal modelo implica forjar condições para reformas estruturais, articuladas ao aprofundamento da democracia e da criação de uma nova sociedade.
Companheiros e companheiras governadores, prefeitos, parlamentares, representantes de partidos aliados, autoridades presentes, meus senhores e minhas senhoras
Como é de conhecimento geral, a pauta do nosso Congresso abordará dois temas de extrema relevância. O primeiro tratará da atualização do nosso Estatuto, a fim de torná-lo ainda mais democrático e mais compatível com as mudanças que o PT e o Brasil conheceram nestes 31 anos de nossa existência. Vale ressaltar que o PT é dos poucos partidos a debaterem publicamente, sem controles ou injunções da direção, normas que regem a vida da agremiação.
Concluídos os trabalhos da nossa “Estatuinte”, poderemos anunciar o lançamento de uma nova campanha de filiação, cujo objetivo será o de acolher os milhares de simpatizantes que votam no PT, que nos têm como referência, que apóiam os nossos governos, mas que ainda não estão integrados organicamente nem participam das atividades partidárias.
O 4º. Congresso deverá, também, aprovar uma resolução política, que analisa a conjuntura nacional e internacional; que faz um balanço dos governos Lula e Dilma; que enumera os desafios que temos a vencer; e define uma agenda própria para o PT, a qual não se contrapõe nem concorre com os projetos do nosso governo, um governo de coalizão de forças políticas e sociais diferenciadas.
Em sucessivos documentos, nosso partido, ao apoiar a política econômica do governo, aponta a necessidade de enfrentar o problema dos juros e do câmbio com medidas mais ousadas. Por isso, aplaudimos a recente decisão do Banco Central, augurando ao mesmo tempo que a tendência não reverta, a fim de que se possa chegar ao final do primeiro mandato da companheira Dilma com taxas que desestimulem a especulação financeira.
A maneira como os nossos governos vêm se contrapondo aos efeitos da crise global, discrepa daquela que se pratica na Europa e nos Estados Unidos, de corte dos gastos e desemprego, para salvar o capital.
De forma ainda mais enfática, apoiamos incondicionalmente o combate sem trégua à corrupção travado pelos nossos governos. O enfrentamento da corrupção é um compromisso inarredável do PT, que há de ser honrado sem desconstituir o Estado Democrático de Direito ou sonegar as garantias individuais. Sem esvaziar a política ou demonizar os partidos, sem transferir, acriticamente, para setores da mídia que se erigem em juízes da moralidade, uma responsabilidade que é pública, a ser compartilhada por todos os cidadãos.
O combate à corrupção, para além de tudo o que se fez sob o governo Lula e se faz agora sob o comando da presidenta Dilma, exige medidas abrangentes, cujo núcleo reside na reforma política e na reforma do Estado, ambas tratadas em profundidade no texto-base da Comissão Executiva Nacional que se encontra na pasta dos delegados e delegadas.
Para concluir, quero mencionar dois temas da agenda petista que reputo de importância capital: o da democratização dos meios de comunicação e uma campanha pública pela aprovação de leis cidadãs, com o concurso de iniciativas populares, proposições congressuais e do próprio Executivo.
Entre as nossas convicções mais arraigadas, inscritas como princípios em nosso ideário, a livre expressão de pensamento, o direito de opinião, a liberdade de imprensa e o repúdio a todas as formas de censura são valores fundamentais. Mas o jornalismo marrom de certos veículos, que às vezes flerta com práticas ilegais, deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar.
A inexistência de uma Lei de Imprensa, a não regulamentação de artigos da Constituição que tratam da propriedade cruzada de meios, o domínio midiático por alguns poucos grupos econômicos tolhem a democracia e criam um clima de imposição de uma única versão para o Brasil. E a crescente partidarização, a parcialidade, a afronta aos fatos preocupam a todos os que lutam por meios de comunicação que sejam efetivamente democráticos. Por tudo isso, o PT luta para votar e aprovar, no Congresso Nacional, um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no País.
Companheiros e companheiras,
São muitos os desafios e inúmeras as tarefas. Cumprí-las exigirá de nós criatividade ideológica, força político-social, clareza estratégica e, sobretudo, interação constante com a militância, que não deve ser convocada apenas nas campanhas eleitorais, mas também para traçar e decidir os rumos do nosso partido. Vamos à luta, e até a vitória!

Viva a militância!
Viva o PT!

Mirem-se no exemplo


Professores protestam em São Paulo


Professores da rede pública estadual de São Paulo realizam uma assembleia em frente à sede da Secretaria da Educação do Estado, na Praça da República. A categoria reivindica 36,74% de aumento para repor as perdas inflacionárias

Dinheiro o governador tucano Geraldo Alckmin tem. Só não paga o reajuste salarial se não quiser.O Orçamento de SP, que neste ano é de R$ 140 bilhões, deve chegar a R$ 154 bilhões em 2012.

Gueto neoliberal

Apesar de uma leve desaceleração, o PIB brasileiro no segundo trimestre continua em alta e com tendência a crescer mais robustamente no último trimestre deste ano, tradicionalmente um período de grande aquecimento da atividade econômica, até mesmo porquê o consumo das famílias continua turbinado, chegando a 5,5% naquele período, na comparação com o 2º trimestre do ano passado.
Infelizmente para nós, paraenses, a tendência de desaceleração é bem mais palpável, conforme pudemos constatar pela divulgação das projeções feitas pelos próprios técnicos tucanos, ficando, quando muito, na faixa dos 2,75%, bem abaixo da média nacional e abaixo do que vinha ocorrendo nos últimos quatro anos. Claro que isso é resultado da volta da orientação neoliberal imprimida pelo governo Jatene, que iniciou contingenciando recursos, desrespeitando conquistas, paralisando obras importantes ao nosso desenvolvimento, arrochando salários e fazendo tornar a política de favorecimento da máquina pública à uma minoria. Tudo indica que, muito em breve, será forte a sensação do "eu era feliz e não sabia".

Rotina incômoda

Já está virando rotina, aos finais de semana, Cosanpa e Celpa irmanarem-se pra  atrapalhar a vida da população. Não há final de semana que os jornais não tragam aviso que vai faltar água e luz nos bairros x, y, z e acaba faltando praticamente em toda a Região Metropolitana, inclusive atingindo gente que pensava estar em área não abrangida pelo racionamento.
Atendendo requerimento deste vereador, a Câmara Municipal de Belém realizará na próxima semana uma Sessão Especial para debater essas constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica, que transformaram a Celpa privatizada na prestadora do pior serviço do país. Diante desse quadro, já estou até pensando em apresentar uma emenda ao requerimento estendendo à Cosanpa o convite a fim de que o consumidor tenha ao menos uma explicação para tanta trapalhada.

Tiro pela culatra

Pessoas estão colocando cartazes por cima do nome "Jerônimo Rodrigues" com dizeres no idioma dos Apinaye, com certeza, em protesto pela mudança do nome da travessa Apinagés à revelia da vontade dos moradores daquela artéria; em um colégio particular localizado às proximidades, os estudantes todo dia fazem protesto pacífico contra a desastrada mudança, enfim, aquilo que era pra ser homenagem está virando achincalhe com desfecho imprevisível.
É o que dá legislar ignorando a vontade popular e em atenção apenas a interesses restritos. Às vezes a sociedade até tolera, porém, quando não aceita, não deixa outra saída que não a pressão para que o legislador insolente engula em seco o prejuízo que causou. parece ser isto que irá ocorrer nesse caso.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Enquete

Já está no ar a nossa enquete sobre a divisão do Estado do Pará.
Não deixe de participar!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011


Procurador rejeita ação do PPS contra valorização do salário mínimo

Por: Redação da Rede Brasil Atual
São Paulo - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, manifestou-se nesta quarta-feira (31) pela rejeição da ação proposta pelo PPS contra a lei que fixa a política de valorização do salário mínimo até 2015. A fórmula fechada entre governo federal e centrais sindicais indica que o reajuste deve ser feito tomando-se em conta a reposição da inflação somada à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
“Assim, será cumprido, sem espaço para qualquer casuísmo, tarefa político-administrativa, e não legislativa, iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, defende Gurgel em parecer encaminhado nesta quarta ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a tentativa do PPS de derrubar a Lei 12.382, de 2011. Ele se refere ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE e tomado como base para o cálculo do reajuste do mínimo até 2015.

Muita calma nessa hora!

Não meto minha mão no fogo pelos oficiais que estão sendo responsabilizados pelo sumiço de documentos da Alepa, mas querer puni-los antes que se investigue, baseando-se apenas em notas de jornais, parece repetição da investigação mandrake que a Polícia Civil fez: arranja-se dois ou três bodes expiatórios e salva os verdadeiros responsáveis pelo delito.
Na verdade, esse caso ainda será por muito tempo motivo de indignação da sociedade paraense, enquanto uma CPI não for instalada. É flagrante a quantidade de operações-abafa, durante as investigações que o Ministério Público tem realizado, tentando burlar as diligências feitas com muita competência, no afã de livrar os chefes da quadrilha. E essa limitação operacional do MP, que uma CPI não teria, é de fundamental importância para celeridade e profundidade nos resultados obtidos, coisa que muito "peixe grande" abomina.

Fórmula pra piorar

Nos próximos dias, o já complicado trânsito do centro comercial de Belém sofrerá sensível piora com a decisão do governo do estado de fazer retornar à Presidente vargas os desfiles alusivos ao 7 de setembro. Foi uma decisão quase secreta e sem maiores explicações, talvez porque não as tenham. Todos sabem que a Aldeia Cabana recebeu esses eventos de forma tranquila para o trânsito, daí ser discutível faze-los retornar ao "caldeirão" do centro histórico de Belém.
É pouco provável que o governador Jatene se faça presente, assim como é bem capaz de nem em Belém estar S. Exa. nessas datas. Mas, se estiver, provavelmente estará lá pelo km 9 da Augusto Montenegro, bem longe do pandemônio que contribuiu para que se estabelecesse. Questão de estilo de governo.

Preço salgado

A CBF fixou os preços dos ingressos para o amistoso que a Seleção Brasileira fará com a Argentina, dia 28 próximo, e estabeleceu que o mais barato custará R$90,00. Ninguém aqui vai defender que se cobre preço estipulado pra jogo do campeonato paraense, mas noventa reais é salgado para um povo que tem a 21ª renda per capita do país e que, não fosse o Bolsa Família, teria quase metade da população vivendo abaixo da linha da pobreza.
Curioso é que o seleção tem vários patrocinadores e quando um amistoso, quase treino de luxo, como esse  ocorre já vem com todas as suas despesas pagas. Mas, para o capo Ricardo Teixeira, o povão que se exploda. Qualquer dinheiro que se some à fábula que a CBF arrecada é sempre bem vinda.